28 de mar. de 2011

ETREVISTA: MÁRIO MENDES

Nosso entrevistado da semana é o jornalista Mário Mendes. E que os ventos da criação soprem pelo resto do ano que vem ai.
ME - Surgiu algum grande gênio do estilo, depois de Alexander McQueen?
MM - Gênios não nascem em árvores nem necessariamente surge um a cada geração. Callas, Pelé, Chaplin, Chanel, St. Laurent… Eles são raros. McQueen marcou uma era e tão cedo não veremos algo semelhante. Levemos em conta também a época na qual vivemos: tudo cada vez mais simplificado e ágil para caber no entendimento de 140 caracteres. Talvez o próximo gênio da humanidade seja alguém capaz de criar algo realmente grandioso num espaço tão restrito. O “nanogênio”.
ME - Como fica o valor estético das criações da moda na “era das celebridades”?
MM - O “valor estético” fica nos signos que representam essa época. O figurino das celebridades deve enviar uma mensagem de fama e fortuna. A deusa sensual faz o jogo de esconde-esconde com seios, bumbum e pernas, a diva pop carrega o piano no próprio vestido, a vencedora do Oscar se cobre com jóias poderosas (e emprestadas), o atleta exibe grifes caras e o resultado da malhação… Vai ser interessante observar esse momento daqui alguns anos.
ME - O que é da moda, o que é da cultura?
MM - Da moda é o sensorial. Da cultura, o essencial
ME - O que mais te interessa no jornalismo de moda?
MM - Ter a oportunidade de circular pelos bastidores de uma indústria tão particular como é a moda. Ver como se faz e conhecer quem pensa, cria e executa esse tal “glamour” (termo que considero um tanto quanto esvaziado, mas vá lá…). E, claro, poder contar isso para o público em geral. Sobretudo, a parte que moda de verdade tem 5% de frescura e 95% de pura ralação.
ME - Dá pra falar em “moda brasileira”?
MM - Dá pra falar de “moda francesa” e o resto é derivação. Podemos falar de um estilo brasileiro: roupas e acessórios produzidos aqui a partir de traços da nossa cultuta, dos nossos costumes e hábitos e do clima. Ou seja, um jeito de corpo brasileiro. Uma vez na Inglaterra alguém me disse que já sabia que eu era brasileiro mesmo antes de eu abrir a boca, pelo jeito de andar, pelo gestual, pelo sorriso. A moda á brasileira na medida em que transmite nossa identidade.
ENTREVISTA DO DIA 26/03